Esse blog é uma construção coletiva dos acadêmicos do curso de Letras da FAZU matriculados na disciplina de Cultura Brasileira, sob a supervisão da professora da disciplina Esp. Daniela Rocha Almeida.
quinta-feira, 3 de maio de 2012
CAPÍTULO 2: DIÁLOGO INTERCULTURAL
Fortalecimento da autonomia

A promoção do diálogo intercultural conflui em grande medida com a abordagem de identidades múltiplas. Não deveria encarar-se o diálogo como uma perda do próprio, mas como algo que depende do conhecimento que temos de nós mesmos e da nossa capacidade de passarmos de um conjunto de referências a um outro. Requer o fortalecimento da autonomia de todos os participantes, mediante a atribuição de capacidades e projetos que permitam a interação, sem prejuízo da identidade pessoal ou coletiva. Essa perspectiva pressupõe reconhecer os modos de funcionamento etnocêntrico que frequentemente adotam as culturas dominantes e reservar um espaço maior aos sistemas de pensamento que admitem formas de saber exotéricas e esotéricas. O sucesso dos estudos cartográficos comunitários é um exemplo notável e ajudou a capacitar as populações indígenas que procuram recuperar no plano internacional o direito à terra e aos recursos ancestrais e um desenvolvimento autonomamente definido.Um dos principais obstáculos à acomodação de novas vozes na esfera do diálogo intercultural é a subordinação generalizada das mulheres a interpretações preponderantemente masculinas das tradições culturais. Em muitos contextos sociais cabe às mulheres desempenhar uma função diferenciada na promoção da diversidade cultural, pois muitas vezes são elas as portadoras de valores na transmissão do idioma, dos códigos e sistemas éticos, das crenças religiosas e dos modelos de conduta. A desigualdade entre homens e mulheres é multidimensional e interage de modo sub-reptício com outras formas de desigualdade fundadas, nomeadamente, sobre critérios raciais, sociais ou econômicos.
O DIREITO Á EDUCAÇÃO
A promoção do direito à educação, tal como se reafirmou nos princípios da Educação para Todos (EPT), e a proteção e promoção da diversidade cultural, convertem a pluralidade num requisito fundamental da educação, que se opõe à tendência dos sistemas educacionais em se constituírem em fonte de uniformização. Deixar de considerar formas de aprendizagem não predominantes (ex: conhecimentos indígenas sobre gestão de recursos), somado às restrições dos mercados de trabalho, faz crescer o risco de marginalizar mais ainda as populações que a educação deveria fortalecer. Apesar do crescente reconhecimento da importância da diversidade do saber (incluindo as tradições locais e indígenas), continua muito divulgada a crença em teorias desligadas de toda e qualquer noção de valor e ancoradas em que não têm relação com os contextos sociais em que se originaram. À medida que o discurso predominante sobre a educação considera que a ciência é universal, revela-se a tendência a estabelecer uma compartimentação redutora entre as formas de conhecimento tradicionais e as de outra modalidade. Porém, as estratégias que encorajam o reconhecimento de formas tradicionais – e mesmo tácitas – do saber podem abrir novas perspectivas para preservação das sociedades vulneráveis, ao mesmo tempo em que alargam o campo dos saberes dominantes. A comunidade internacional admite, cada vez com maior frequência, que as formas tradicionais e pragmáticas de aprender podem ser tão eficazes como os métodos didáticos ocidentais. Os contadores de histórias, por exemplo, contribuem para a vitalidade das culturas orais, ao passo que as estratégias de alfabetização podem causar uma depreciação não desejada nessas culturas. Entre outras vantagens intrínsecas, a educação indígena informal pode contribuir para a criação de formas de aprendizagem mais participativas, logo, mais adaptativas que analíticas. A educação tem muito a ganhar com estas perspectivas plurais da aprendizagem, que relembram que o direito à educação está estreitamente ligado ao direito de os pais “escolherem o tipo de educação a dar a seus filhos” (Art. 26 da Declaração Universal dos Direitos Humanos).
IDENTIDADES NACIONAIS, RELIGIOSAS, CULTURAIS E MÚLTIPLAS
A questão das
identidades – nacionais, culturais, religiosas, étnicas, linguísticas,
baseadas no gênero ou em formas de consumo – adquire cada vez mais
importância para as pessoas e grupos que encaram a globalização e a
mudança cultural como ameaça às suas crenças e modos de vida. As
crescentes tensões que suscita o tema da identidade e amiúde, resultam
da aculturação de reivindicações políticas, contrapõem-se a uma
tendência mais geral face ao aparecimento de identidades dinâmicas e
multifacetadas.
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